ago 12, 2016
Tamy

Pílula anticoncepcional: heroína ou vilã? Como é minha vida sem ela.

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Salvadora da liberdade sexual de muitas mulheres desde os anos 1960, a pílula anticoncepcional foi herdada pelas gerações seguintes como a solução para quem quer decidir quando – e se – quer ou não filhos. Gente como eu, que nasceu nos anos 1980 e 1990, aceitou sem questionar e a adotou como a heroína anti-cólicas, espinhas e ciclos desregulados. Lembro que na escola haviam colegas com 15 anos que já eram adeptas por indicação médica.

A principal vilã combatida pela pílula era a menstruação, aquela maldita que não permitia um belo dia de biquíni na praia sem canga, aqueles ~litros e litros~ de sangue inconveniente tornando a vida tão desagradável, isso sem falar na TPM, na pele oleosa, na retenção de líquidos.

Mas o jogo virou, veio o coletor menstrual, o feminismo, as mina falando que a tal pílula não é tão boa assim. Passamos a falar mais sobre a vagina, com esse nome mesmo, não mais a “perseguida”. A verdade, meu bem, é que passou da hora de rever esse medicamento que ingerimos religiosamente todos os dias como se fosse a coisa certa a se fazer, enquanto fugimos da menstruação como se fosse um equívoco da mãe natureza.

Não sou médica e, mesmo que fosse, não poderia sair por aí dizendo o que você deve ou não fazer com o seu corpo, então não estou recomendando o comportamento A ou B. Mas como mulher quero dividir minha experiência para que você possa saber o que me aconteceu quando parei de a tomar pílula anticoncepcional.

Tudo começou com o coletor menstrual, essa maravilha empoderadora e sustentável que o mercado escondeu de nós por tanto tempo. Comprei o primeiro, usei, amei e antes de esquecer no fogo e derreter o pobrezinho, descobri que menstruação não era algo tão ruim assim. O fluxo não é tudo aquilo que aparenta em absorventes comuns e dá para ser feliz no período menstrual na rua, na chuva, na fazenda e até numa casinha de sapê. Eu fui feliz no trabalho, na piscina, na praia e até em longas viagens de avião. Aquele aperto que passei na Turquia quando precisei de absorvente e não havia em nenhum lugar é página virada.

Afastado o fantasma da menstruação, comecei a perceber algumas coisas na minha saúde. Estou na casa dos 30 e comecei a sentir dor e cansaço nas pernas. A enxaqueca virou companheira e chegava a ficar comigo por 3 dias. Quando comecei a me sentir cansada a ponto de prejudicar a vida, fui a uma endócrino e fiz vários exames. Tudo lindo e maravilhoso com os exames, comigo… não era bem assim.

Vamos anotar o que eu tinha até aqui: dor nas pernas, cansaço, enxaqueca frequente, cólicas e TPM. Também tinha um ciclo menstrual “regular” de 28 dias porque é o que durava minha cartela.

Um belo dia resolvi mudar. Parei de gastar meu rico dinheirinho com pílula e observei o que acontecia. No início senti falta de alguma coisa e até uma certa insegurança, mas esqueci dela rapidinho. Para não me perder muito no ciclo adotei um app, o P Tracker Lite, que com base na última menstruação calcula a ovulação e o próximo ciclo.

Depois de parar com a pílula, levou uns 3 meses até a menstruação ficar regulada e eu aprendi que meu ciclo não é de 28 dias e sim de 30. Foi quando eu descobri o quanto a gente muda durante a ovulação, coisa que não há como saber quando se toma pílula há muitos anos. E é bem legal, recomendo! 😛

Nesse tempo também diminuiu muito o cansaço e as dores nas pernas. Fiquei meses sem exaqueca e consegui descobrir que um dos gatilhos é o excesso de lactose (assunto para outro post). Basicamente eu não tenho crises de enxaqueca sem pílula e sem lactose.

Com o ciclo regulado e conhecedora da minha menstruação graças ao coletor, percebi que o fluxo aumentou um pouco mas não percebi a TPM, porque ela praticamente desapareceu, assim como as cólicas. Em alguns meses eu sinto uma certa ansiedade e vontade de comer uns chocolates a mais, mas isso acontece raramente. Quase não sinto cólicas, só aquele desconforto no primeiro dia.

Minha vida após parar com o anticoncepcional: diminuiu o cansaço, a dor nas pernas, a TPM e as cólicas. A enxaqueca ficou controlada. Descobri como é ovular e que meu ciclo é de 30 dias. Tudo isso só listando os sintomas físicos. Se for citar os psicológicos passarei o dia falando sobre como me sinto mais tranquila.

Não vou falar sobre métodos contraceptivos porque isso é assunto pessoal para tratar com seu médico. Mas pontuo que existem muitos métodos e que pílula sozinha não previne DST. Claro que você já sabe disso afinal nós – garotas super informadas dos anos 80 e 90 – sabemos tudo sobre nossos corpos né?! (contém sarcasmo)

Meu relato termina com o saldo positivo por arar com a pílula. Corpo, mente e conta bancária saíram ganhando. Aprendi ainda mais sobre o meu corpo e queria dividir isso para que você saiba que se livrar dessa companheira de tantos anos pode parecer ruim e até dar um frio na barriga mas – no meu caso – foi libertador.

Os papéis estão se invertendo. A menstruação deixou de ser vilã para voltar a ser a parte natural de nossas vidas. Já a pílula anticoncepcional que por anos nos foi vendida como heroína talvez deva ser tratada como medicamento que é e utilizada apenas com indicação médica para casos onde realmente há necessidade.

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Lembre-se: iniciar ou parar um tratamento com medicamentos (como o anticoncepcional) deve SEMPRE ter o acompanhamento de um médico.

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Deixo alguns links para quem se interessar sobre o assunto (se você tiver sugestões de links, cole nos comentários).

Vítimas de anticoncepcionais

 Médicos apontam ligação entre uso de anticoncepcional e trombose

• Contracepção hormonal e tromboembolismo (sugestão da Dra Luciana Akita)

• Pílula e Libido

Créditos das imagens:
1 – Milk Magazine
2. Handcrafted in Virginia

43 Comments

  • Precisava ler isso agora. Tão bom ler relatos positivos e sinceros como o teu.
    Parei de usar pílula tem uma semana. Ainda não me sinto segura, mais decidi parar assim mesmo.
    Não deu pra sentir nada diferente ainda. Parei por conta das crises de enxaqueca, que estavam cada vez me enlouquecendo mais. Seguimos!

    • No início é meio bagunçado e confuso, mas aos poucos as coisas voltam ao lugar e a gente passa a se conhecer de verdade. Minha enxaqueca não era só por causa da pílula, mas quando ela saiu de jogo foi mais fácil identificar a causa. Espero que você também consiga 🙂

      Boa sorte e felicidade para vc!

  • Amei o textao Tamy.
    Parei a primeira vez com a pílula quando tinha 23 anos e foi para colocar o Diu.
    Ali já senti a incrível diferença mas como o Diu de cobre aumentou e muito meu fluxo (e diz que ele faz isso mesmo), a menstruação era um momento do mês odiado por mim.
    Foram aí 3 anos de amor e ódio por não tomar a pílula até que tive que tirar o Diu e voltei pra pílula. Tomei mais 1 ano e com essa onda de informações e mudanças de comportamento das mulheres, parei de novo. Arranjei uma ginecologista que apóia a causa e não é a favor da pílula (achei importante esse processo pois ia em um outro médico que acha a pílula a salvação da mulher) e hoje vejo a menstruação e todo esse período como algo empoderador inclusive. Hoje eu deixo meu corpo ser mulher.
    Mas ainda fico encucada com a gravidez. Acho que é o meu unico porem. Nao relaxo guria, não quero filhos e a pílula com o plus da camisinha me deixava tranquila. Agora… Tá difícil haha

    • O mais engraçado nisso tudo é que a sensação de segurança que a pílula traz em relação à gravidez é meio falsa né? Vários fatores podem afetar a eficácia como antibióticos, o fato de estar com diarréia, etc. Mesmo quando tomada religiosamente no mesmo horário, ainda existe a chance de engravidar. Se levar isso em consideração só podemos concluir que o risco sempre existe 😛
      Relax :*

  • Ai gente, posso ser do contra?! Eu tomo pílula e sou muito mais feliz com ela…
    Já parei de tomar, pq decidi ter um filho, e neste período minha adolescência voltou.
    Cólicas, dor nos seios…enfim…depois engravidei, tive meu filho, amamentei por 6 meses
    (pq ele descobriu outros sabores e me deixou) e nesse período falei com minha
    médica que gostaria de voltar com a pílula…ela me receitou uma que não iria me fazer
    muito mal – ainda estava amamentando na época – e deu certo.
    Eu não tenho esses sintomas de dor nas pernas, enxaqueca…embora tenha sim meus
    dias de dor de cabeça, mas nada assim super forte…e já estou na casa dos 40…
    É isso…desculpem ser do contra neste assunto, mas acho que cada uma sabe o que
    faz bem, certo? E pra mim, a pílula não é um agravante…
    bjos

    • Olá Otávia,

      Como disse, meu objetivo não é opinar sobre o que cada uma vai fazer ou deixar de fazer com o próprio corpo. Que bom que funciona sem efeitos colaterais e que – o mais importante – você está feliz e saudável.
      Quis colocar o meu ponto de vista porque algumas gurias podem estar passando pelos mesmos sintomas e que bom que você compartilhou o seu, afinal cada pessoa é de um jeito.

      Beijos! 🙂

      • Também não sinto efeitos colaterais e para mim deu muito certo – eu tinha um fluxo muito forte, com uma semana ou mais e consegui controlar. Infelizmente pilula é algo que você tem que entrar conhecendo os prós e contras, eu, por exemplo, reluto muito de tomar antibiótico por medo de reação e acabei me tocando que hoje em dia um monte de gente toma remédios fortes como se fosse bala porque é fácil de conseguir, nesse ponto fiquei mais alerta, passei a ler bulas e etc.

        Meu único porém é não conhecer um ginecologista que saiba responder meus medos sobre trombose. Tem seis anos que tomo e não senti quase diferença – talvez no libido, mas não foi cortado, mas diminuído – mas as reações ao anti são silenciosas, acontecem do nada e podem levar a morte ou sequela. Mesmo assim, quando peço um exame ou algo que consiga me deixar tranquila, os médicos me descartam, começam a falar de probabilidade, que não sinto nada, que sou saudável, tomo há anos.

        Ou seja, meu medo não é nem sobre a pilula, mas sobre eu ter ou não a probabilidade de trombose e nenhum dos quatro médicos que perguntei quiseram me ajudar nisso.

  • Lindona!
    Que demais esse texto Tamy!
    Eu parei de tomar a pílula a dois anos e sou outra mulher. Também aprendi sobre meu ciclo,
    E ano passado quando quis engravidar, consegui já no primeiro mês!
    É maravilhoso conhecer nosso corpo!
    Pena que assuntos assim, ainda são a minoria naa formas de comunicação do Brasil.

    • Olá querida! Minha resposta não apareceu antes, mas quero desejar muita felicidade à família. Estou acompanhando e mandando boas energias para vocês.

      Beijão

      • Obrigada minha linda!! Nosso baby é um amor!! <3

  • Oi Tamy!
    Ano passado fiz um teste de ficar sem pílula. Aguentei por 2 meses. Fiquei na paranoia, pq mesmo me cuidando, tive medo de engravidar. Minha TPM ficou absurda, além das espinhas, que quadruplicaram. Não sei se isso foi uma adaptação do corpo, e eu acabei não dando tempo a ele. Gostaria mto de parar de tomar (pq a vontade de namorar anda zero), mas sou muito cagona. To cogitando colocar diu, minha ginecologista diz que é uma boa nesses casos. Sigo pesquisando, hehe
    Bjss

    • Oi Rê, 2 meses é pouco, eu demorei uns 4 ou 5 meses até o organismo entrar nos eixos. Tomei pílula por uns 7 anos. Os 2 primeiros meses foram bem difíceis pra mim, mas agora estou ótima!

      • Olá!

        Nos 2 primeiros meses foi terrível. Também tive um aumento na oleosidade e tudo mais. Vou gravar um vídeo sobre isso porque senão o texto ficaria imenso.
        O fato é que acabei fazendo o tratamento com o dermatologista e hoje minha pele é ótima sem nenhum medicamento. Nem na época do anticoncepcional era tão boa assim =)
        Então há esperança!

        Bjs

  • Oi tamy,

    eu tomo pílula há 9 anos, comecei com 22 e sinceramente por conta das espinhas pq minha vida sexual era quase nula nessa época. De uns tempos pra cá andei pensando em parar mas não posso mentir, tenho muito medo. Medo de minha cara pipocar de espinha de novo, medo de engravidar, medo de engordar (eu sei que alguns são medos ridículos mas mentir pra si mesmo é mais ridículo ainda e os medos existem). Por outro lado tenho um TPM absurda, com vontade de cortar os pulsos e minha libido anda quase ausente. Sinceramente a balança anda tendendo muito mais para o PARE do que para o SIGA, né? Como foi pra você essa parte estética? Você se sentiu bem na sua pele quando parou?

    • Mariana, minha TPM era muito parecida com seu relato. Eu – que sou super animada e dificilmente fico triste – ficava tãããão deprimida que passava dias sem comer. Era uma tristeza sem motivo e sem solução que dificultava tudo que estava em andamento.
      Hoje não percebo nenhuma mudança de humor nesse sentido, no máximo sinto vontade de comer doces.

      Minha pele ficou bem horrível quando parei a primeira vez, procurei um dermatologista e fiz tratamento. Faz quase 1 ano que encerrei o tratamento e minha pele segue ótima, com uma leve oleosidade nos dias mais quentes, mas sem acne (que era um dos motivos que me levaram ao anticoncepcional).

      Vou gravar um vídeo contando essa história da pele direitinho porque ela é muito longa para escrever. Enquanto isso você pode acompanhar meu tratamento aqui.

      Se tiver dúvidas, fique à vontade para escrever!

      http://www.derepentetamy.com/?s=roacutan

      Beijos

      • Tamy, eu acompanhei todo seu tratamento na época mas não tinha associado com o não uso do anticoncecional. Fiquei ainda mais propensa a parar pq vc simplesmente descreveu a minha tristeza quando contou da sua TPM. Passei meu último aniversário em prantos e te juro que sou muito otimista e fiz um pacto com a felicidade. Mas na TPM os hormônios ganham.

        Aproveitando o embalo queria te indicar um livro pq lembrei de você enquanto lia, chama: “Sapiens, uma breve história da humanidade”. Acho que tem tudo a ver com seus posts e suas reflexões aqui no blog.
        Um grande abraço de uma leitura que já se considera amiga.

  • Ótimo texto, Tamy!! Mas usando a liberdade de expressão, tenho de ser sincera: acho arriscadíssimo!! Creio ser possível prever um demasiado número de nascimentos em breve devido a essa ditadura contra as pílulas.
    Eu uso. Comecei mais pela pele acneica. Salvação total! Não apresento, até hoje, sintomatologia negativa alguma. Enfim, como vc sempre diz tbm, a cada suas próprias escolhas!

    Um beijo! Adoro vc!

    • Eu também comecei a tomar por causa da acne e acabei resolvendo com um tratamento específico que foi ótimo.

      Concordo que é arriscado sair por aí parando/iniciando tratamentos sem supervisão. Por isso ressaltei bastante a importância do acompanhamento profissional.

      Beijão 🙂

  • Me inspirei em vc, quando disse a um tempo q pararia com a pílula…
    Parei a minha tbm…e está terminando meu 2 ciclo sem ela…
    Mas não tomei de adolescente não, comecei aos 25!
    Meus ciclos nunca foram regulados…mas quem sabe agora, mais velha, eu consiga conhecer mais dele…haahahuahua o primeiro foi 30 certinho, esse segundo 39 dias (claro, quase surtei…rs)

    Chateada pela pele e espinhas…mas o humor, AHHH sem comparação! <3
    Estou aguardando os outros benefícios!

    Parei tbm de comer carne e derivados a quase 1 ano, e acho q juntando com a pausa da pílula meu corpo vai mostrar logo os benefícios…hauhauhaua
    Agora só falta o coletor…HAUAHUAHUAH

    Ps.: #GoVegan! uaahuahuahua

    =****

    • Criatura amada do meu coração, você AINDA não começou a usar o coletor? Cadê a mulher muderna que eu sei que vive aí?

      Estou caminhando a passos (bem) lentos para o vegetarianismo. Já não sinto falta alguma e passo várias semanas sem carne vermelha. A pressão social na terra do churrasco é bem complicada mas eu vou chegar lá!

      Bjss

  • Eu parei de tomar no ano passado, mas não estou sabendo lidar com as espinhas que me apareceram (tenho 31 anos… isso não era só na adolescência? hauhau).

    • Djeine, ao finalizar a leitura do texto fiquei com a mesma dúvida que você: o que fazer com as espinhas? Tentei de tudo, remedios manipulados, cremes, etc, mas nada resolveu. Eu tomo a pilula pura e somente por esse motivo: controlar as espinhas, será que existe alguma alternativa?
      Tamy, de todo modo, o texto é ótimo e, se não fosse pelas espinhas, eu nao tomaria as pilulas.
      Bjs

      • Meninas queridas < 3 Minha recomendação é que vocês procurem um bom dermatologista para resolver a questão das espinhas. Sem a pílula eu também tive problemas sérios de acne. Fiz tratamento há 1 ano e minha pele está fantástica sem nenhum tipo de medicamento. No máximo encaro uma oleosidade quando está muito calor, aí faço uma máscara de argila verde e pronto 🙂 Vou fazer um vídeo específico sobre isso, muitas gurias estão com a mesma dúvida! Deixo o link do tratamento http://www.derepentetamy.com/?s=roacutan

        Beijos

  • Que maravilha! Estou na minha última cartela, comecei a fazer tratamento homeopatico e conversei a minha médica sobre parar com o anticoncepcional e os possíveis efeitos, já q eu tomo há mais de 10 anos, e já tive cisto e tenho problema com espinhas. Ela disse que com a homeopatia aliada a acupuntura podemos resolver isso. Estou me sentindo mais segura, quando falei com meu ginecologista, ele me desincentivou.

    • Há vários ginecologistas que são contra. Assim como há ginecologistas que são contra o uso de coletor menstrual, contra parto normal, etc.
      Se você não concorda com ele, pode tentar outros médicos. No grupo de FB que indiquei no final do post há indicações de médicos que aceitam bem a ideia. Em grupos feministas sobre coletores e empoderamento você também consegue essas indicações.

      O mais importante é não tomar decisões sem o acompanhamento médico. Isso pode ser perigoso para a saúde.

      Beijos e boa sorte!

  • Oi Tamy… Fiz o teste e fiquei 5 meses sem… Infelizmente fui diagnosticada com ovários policísticos e o único tratamento era a pílula… Por conta deste diagnóstico, nao senti melhorias… Soh pioras, engorda (principalmente na cintura), aumento de pelos (principalmente no rosto) e muitas, muitas espinhas… Isso mexeu obviamente com minha confiança, libido, insegurança por nunca ter um fluxo regular (3 meses sem menstruar) e etc. Entendo que se libertar deste medicamento é uma ótima ideia, mas sempre… Sempre faça com acompanhamento, pois até exames de probabilidade de trombose é possível de se fazer, e claro, cuidar da saúde em geral p/ garantir uma prevenção o mais eficiente possível…. Sonho em me livrar da pílula, mas por enquanto meus ovários policísticos não me permite….. Obrigada pelo post! Muito bom! Bjs!

    • Olá Barbara,

      Há casos em que o medicamento é necessário e faz bem para sua saúde. Vamos torcer para que a ciência busque uma nova solução para o seu caso, enquanto isso o ideal é sempre ter a orientação de um médico 🙂

      Beijos mil! 🙂

  • Oi! Uso pílula há anossss – uns 12. Sem ela nunca tive cólica, tpm ou fluxo intenso, mas meu ciclo de 28 dias (era 28 mesmo) começou a ser regularmente de 15 em 15 dias. Esperei alguns meses pra voltar ao normal mas nada, e eu era nadadora e não podia usar OB. Aí não deu pra aguentar. Eu fiz uma pausa de 2 meses quando completei 10 anos de uso e foi catastrófico – meus seios inchavam e doíam a ponto de não poder deitar de bruços, minha pele e cabelos ficaram super oleosos, me apareceram espinhas onde não acreditava ser possível. Quando voltei a usar, levou um ano pra regularizar. Eu tomo Yasmin e emendo 3 cartelas, aí pauso uma semana. Minha teoria é que menstruação mensal não é natural – natural é emendar gestações/amamentação até morrer aos 30 anos. Sou muito mais feliz com minha situação atual 🙂

    ISSO DITO, concordo plenamente que embarca-se na pílula/implante/mirena de maneira muito leviana. É obrigatório que ginecologistas alertem sobre o risco de trombose, sobre fatores que aumentam o risco (história na família, tabagismo, colesterol alto, sedentarismo…), que alertem aos sintomas de uma trombose e que os serviços de emergência saibam admitir que o estereótipo da mulher jovem, saudável e sem risco é uma mentira. Tenho um caso muito próximo que passou batido por dois atendimentos e só por insistência e sorte (e um terceiro atendimento adequado) saiu sem sequelas. Mas assim como os médicos nem sempre estão preparados, muitas mulheres iniciam o uso com consulta das amigas e desprezam os riscos. Quantas fumam e usam pílula e dizem que “todo mundo morre um dia” pra se justificar?
    Além disso, no que compete a anticoncepção, o método duplo (barreira + hormonal) ainda é o mais eficaz. Vasectomia ou ligadura tubária em pacientes jovens e/ou sem filhos é difícil de conseguir, no particular ou no sus, por questões éticas, e filho não planejado é lindo só na novela.

    Esse equilíbrio é um assunto muito delicado e bem particular e adorei que tu trouxe esse debate. São muitos fatores – saúde, conforto, planejamento familiar, vida sexual… Cada um acha seu jeito de levar e é legal ler todas as histórias 🙂

    • Ótima a sua contribuição Francisca! Há casos que funcionam bem e outros nem tanto. De qualquer maneira, toda decisão que envolve saúde deve ter o acompanhamento de um médico, né?!

      Sua colocação sobre o método duplo é muito válida, afinal a pílula pode perder a eficácia com alguns fatores.

      Bjs

  • Eu tb tô com muita vontade de parar, apesar da pílula atual ser bem tranqüila, a Qlaira. Falei com meu marido sobre já, tenho muito medo de me dar algo, e sexta-feira vou na gineco e vou conversar sobre o Diu sem hormônio, pois li que pessoas que tem histórico de câncer ou conização (eu tenho os dois) não podem usar e eu não quero engravidar agora em hipótese alguma, só depois dos 35. =(

  • Oi Tamy, texto inspirador! Obrigada por compartilhar isso, moça.
    Se não se importar em responder, há quanto tempo vc usou a pílula antes de parar? Curiosidade! Eu uso há 12 anos, de vez em quando tenho uma vontade de parar também. Comprei o coletor menstrual e até hoje não usei, hahaha, você me incentivou, esse mês uso o meu Diva Cup!

    • Olá Cintia!

      Usei por 14 anos!
      Dê uma chance pro coletor, no início a adaptação é meio esquisita mas depois é maravilhoso ?

      Bjss

  • Olá, meninas!
    Meu nome é Luciana, sou médica formada pela USP-RP e trabalho com Programa de Saude da Familia em uma pequena cidade de população quase sempre vulnerável.
    Infelizmente, vemos muitas informações equivocadas sendo transmitidas pela internet em relação ao uso de anticoncepcionais, como os links no final deste post. Venho aqui hoje para esclarecer algumas duvidas comuns das mulheres, principalmente em relação ao medo de trombose, uso de pilula e enxaqueca, e tudo mais. Para dar credibilidade e base cientifica ao que transmito, não serei eu a argumentar, mas sim a Profa Dra Carolina Salles de Oliveira, docente responsavel pelo departamento de contracepção da Universade de Sao Paulo (USP), e minha antiga e querida professora. Nestes dois links abaixo, ela esclarece algumas duvidas, como:

    http://www.ambr.org.br/contracepcao-hormonal-e-tromboembolismo/
    http://www.mulherdescomplicada.com.br/trombose-x-anticoncepcional/

    – Todas as pilulas aumentam o risco de trombose? Não, apenas as pilulas que contenham ESTROGENIO em sua formula, como o Diane 35, Yasmin, Ciclo 21, Selene, etc.
    – Esse risco de trombose é significativo? Depende, o uso de anticoncepcionais contendo estrogeno aumenta de 2 a 4 vezes o risco de trombose. Uma gravidez aumenta em 60 vezes!!!! Para se ter ideia, mulheres obesas tem 12 vezes mais risco de trombose que a população comum, ou ainda: fumar aumentar o risco de trombose em cerca de 21 vezes. Ou seja: o risco atribuido a pilula parece grande quando isolado, mas quando comparado a outras situações comuns de nossa população, é INSIGNIFICANTE.
    – Todas mulheres podem usar QUALQUER anticoncepcional? Não, por isso a importancia de avaliação médica. Por exemplo, mulheres que tem enxaqueca com aura, mulheres que ja tiveram trombose, mulheres que fumam ou que possuem alguns doenças do sangue ou mesmo as obesas possuem restriçoes.
    – Mas e aí, essas mulheres acima não podem usar NENHUM anticoncepcional? Claro que não, existem anticoncepcionais que não estão relacionados ao aumento de risco, aqueles que só possuem PROGESTAGENO como: Mirena (DIU com hormonio), Implanon subdermico, Cerazette oral, DIU de cobre, etc.
    – Quais outros beneficios do uso de anticoncepcionais que não a contracepção? Reduzem fluxo menstrual aumentado, dismenorreia (colicas), acne, oleosidade da pele, TPM, reduzem o risco de cancer de ovario e de endometrio, permitem a mulher ter melhor controle sobre seu corpo, etc.
    – E por fim, por que estou aqui hoje: Porque trabalho com uma população quase que exclusivamente muito carente, e infelizmente, tenho sido informada sobre varias “linhas” de pensamento que estimulam o fim do uso de anticoncepcionais. O que tenho visto desde entao? Principalmente DESINFORMAÇÃO, um medo injustificavel das mulheres em usar algo simplesmente por informações sem fundo cientifico. Além disso, tenho notado um aumento significativo de gravidez indesejada, principalmente entre meninas jovens e pobres, justamente aquelas que tem acesso às informações de baixa qualidade e pouco acesso à saúde de qualidade. Isso tira o EMPODERAMENTO que tanto buscamos, elas se tornam mães de crianças nao planejadas, param de estudar, entram em relacionamentos abusivos e submissos, tanto por dependencia financeira, emocional, por falta de outra oportunidade..

    Deixo aberto a Tamy , que se voce quiser, ficaria muito feliz em esclarecer qualquer duvida atraves do meu email. Mas reforço, NADA substitue uma avaliação médica, APENAS SEU MÉDICO é capaz de dizer se qualquer uma de voces tem ou não indicação de usar um certo anticoncepcional.

    • Olá Luciana, como vai?

      Agradeço sua contribuição e acrescentei o estudo sobre trombose nos links do final do post. Também reforcei o fato de que medicamentos devem sempre ter o acompanhamento médico.
      É sempre bom ter uma opinião profissional por aqui. Obrigada!

  • Olá Tamy tudo bem! Também parei com a pílula e tem sido muito bom. Quase não sinto mais dores de cabeça que eram infernais. O desejo sexual aumentou. Dores nas pernas também diminuiram. Tanta coisa boa. Não pretendo voltar a usar. Bjs.

    • Que bom que contigo também deu certo! 🙂
      Viver sem dor de cabeça é um alívio.

      beijos e felicidade para vc!

  • Eu comecei a tomar pílula anticoncepcional com 14 anos. Tomava Adoless, que é fraquinha, com menos hormônios, etc, e não sentia nenhum problema. Acontece que depois de 1 ano tomando, ela parou de fazer efeito, comecei a menstruar no meio da cartela. Minha médica, então, me passou pra outra pílula que também tem pouco hormônio, a Diminut. Não sentia nenhum problema, mas, de novo, após 2 anos tomando, comecei a menstruar no meio da cartela.

    E aí é que começaram os meus problemas com a pílula. Passei a tomar uma pílula normal porque obviamente as de baixo hormônio não estavam funcionando bem (com acompanhamento médico). As mudanças não foram repentinas, portanto eu não notei. Segui tomando a pílula até meus 22 anos, quando me mudei pra Europa. Aqui não dá pra comprar anticoncepcional sem receita médica, então eu fui enrolando pra ir no médico e parei de tomar. Foi então que eu percebi o quanto essa pílula estava mudando o meu corpo. Em cerca de 3 meses, emagreci 20kg sem querer. Eu costumava comer muito por ansiedade,e senti uma diminuição enorme nesses episódios. Também voltei a querer transar. Imagina, uma mulher de 20, 22 anos, que não tem vontade de transar: essa era eu. De repente eu queria, e muito! Passei 1 ano usando apenas camisinha (religiosamente, é claro, porque eu não quero engravidar) e pude redescobrir o meu corpo. Então entrei em um relacionamento, e o medo de engravidar ficou maior por causa da frequência de sexo que um relacionamento traz.

    Tentei o Mirena. Tive todos os problemas possíveis com o Mirena. Eu queria muito que desse certo. Foi o que todas as minhas amigas recomendaram, diziam que fazia a vida delas maravilhosa. Eu passei os 2 primeiros dias de cama, de tanta cólica que eu tinha (generalizada, nas costas, na barriga e nas pernas). Eu sou forte pra dor. Cara, eu sou toda tatuada. E ainda assim, fiquei DE CAMA. Passei 2 meses inteiros sentindo cólicas todos os dias, e elas eram piores porque eu trabalho de pé (já tive que pedir 5 minutos de intervalo pra poder sentar e chorar de dor um pouquinho). Nesses 2 meses também menstruei todos os dias. Aguentei com o Mirena 8 meses.Tive outros sintomas, como por exemplo eu não tinha mais lubrificação nenhuma. Minhas cólicas continuavam muito fortes quando eu menstruava. Tirei.

    Hoje em dia tenho o DIU de cobre, que pra mim foi o melhor método. Eu ouvi de muitas amigas que os ginecos delas não queriam inserir o diu de cobre porque elas não tiveram filhos ainda. Na Inglaterra eu nunca ouvi isso, quando eu disse que queria eles fisseram “ok” e marcaram o check up pra ver se tava tudo bem comigo primeiro, etc, depois marcaram de colocar o DIU. A inserção foi horrenda, como com o Mirena, mas as cólicas pararam em 2h e hoje em dia eu não tenho nenhum problema do tipo, não costumo ter muita cólica.

    Eu não vejo problema em tomar pílula se essa é a decisão que a pessoa fez, com o seu médico. Eu só acho que devíamos falar mais sobre as alternativas, acho que deveríamos conhecer nossos corpos melhor antes de entupir ele de hormônio, etc. Começamos muito novas e não sabemos o que é normal ou não. Mas é claro que cada corpo é um corpo e cada caso é um caso! Uma das minhas melhores amigas me acompanhou durante todo o horror que eu passei com o Mirena, mas consultando com a médica dela, ela resolveu colocar. Com ela tudo foi muito bem, até a inserção que pra mim doeu tanto. Não tem como saber qual vai ser o caso até a gente testar a pílula, testar o mirena, testar o diu de cobre, etc. Mas eu acho importante ouvir as histórias das amigas pra saber o que pode ou não acontecer.

  • Bons levantamentos, ótimas discussões!!!

  • Eu parei de usar anticoncepcional há dois meses.Ainda não senti grande diferença, mas a TPM, que era meu maior medo, foi bem tranquila. E o ciclo também ficou em 28 dias. Eu usava o Evra, que é adesivo. Eu tive de parar de usar o oral porque desenvolvi um problema no fígado. São hemangiomas, espécie de hematomas. Não existe sintoma. Eu descobri por acaso, tratando uma gastrite. Agora preciso acompanhar todo ano para ver se evoluíram ou não. O risco é de rompimento e hemorragia. Caso aconteça, vira caso bastante sério. Logo eu, que quase não tomo bebida alcoólica, nunca fumei e não como carne há cinco anos. rs

  • Poxa, adorei seu depoimento. Adoraria parar de tomar anticoncepcional mas tenho ovário policístico, preciso pra controlar fluxo e minha pele fica horrível sem anticoncepcional. Estou pensando em optar por uma injeção, mas queria saber sobre experiências com ela. Você conhece o Cyclofemina? Encontrei esse site aqui com a bula http://cyclofemina.com.br/. Queria saber mais sobre. Parabéns pelo blog! Beijos

  • Oi Tamy! Lendo os relatos nos comentários, não achei um caso parecido com o meu. Eu tinha o ciclo muito desregulado desde a primeira menstruação e muitos pêlos pelo corpo, então ao procurar a ginecologista, ela diagnosticou síndrome do ovário policístico e me receitou o anticoncepcional Siblima.
    Comecei a tomar com 16 anos, eu pesava 56-58kg. Em 8 meses, passei para a casa dos 70kg e tinha dores de estômago horríveis que não deixavam eu comer. Ou seja, estava engordando sem comer 😡
    Voltei à ginecologista e conversei com ela se poderia parar de tomar, pois estava estragando meu estômago (hoje tenho gastrite e refluxo graças ao nosso querido anticoncepcional) e por estar engordando muito. Na minha família, temos histórico de varizes e minha mãe teve trombose há 15 anos atrás, quando tinha apenas 31 anos, então tenho muito medo de acontecer algo do tipo comigo. Relatei este meu medo para a ginecologista e ela disse que uma gravidez seria pior que uma trombose. Na hora eu fique: WHAT?? Tenho um caso na família e tu me diz que um bebê é pior que uma trombose?! Quase perdi minha mãe por causa desta doença e ela me diz isso. Mas ok! Vamos trocar para o Yaz.
    Ano passado, cansada de fazer dieta e exercícios e não emagrecer, resolvi parar de tomar o anticoncepcional. Foram os meses mais felizes da minha vida, mas senti falta do ciclo regulado e fiquei com medo de complicações por conta da síndrome, por isso voltei a tomar o yaz.
    Esses dias estava pesquisando sobre a síndrome e dizem que pode ser controlada com a alimentação, além de ser necessário o acompanhamento da síndrome através de ecografias do útero, para não formarem cistos nos ovários. Estou em busca de um médico que vá me orientar desta forma para me livrar do anticoncepcional, pois no meu corpo as únicas vantagens são o ciclo regulado e a diminuição dos pêlos, sendo que as desvantagens formam uma lista enorme: cansaço na tpm, tristeza profunda neste período, diminuição do libido, cabelo mais fino, seios enormes (usei 40 durante 4 anos e pulei para o 48 em meses), ganho de peso, retenção de líquidos, gastrite, entre outros.
    Não sei se meu relato ficou algo compreensível, mas cada relato que leio me encoraja mais ainda a continuar com esta ideia que o anticoncepcional está sendo usado sem exames prévios e como a solução de todos os problemas.
    Obrigada por compartilhar conosco a tua experiência, Tamy!
    Um grande beijo

  • Oi Tamy! Eu também parei de tomar. Percebi que eu estava acabando com meu corpo de tanto tomar analgésicos para dor de cabeça. Minha enxaqueca já não tinha mais solução, mas o ponto chave para eu parar foram as varizes cada vez mais aparentes e um amiga que teve trombose por causa disso. Minhas dores nas pernas eram tantas que nem conseguia mais fazer atividade física. Fora a libido que ficava quase a zero.

    Parei em dezembro e minha vida mudou! Muito menos enxaqueca que como você, também percebi que a vilã era a lactose e hoje vivo muito melhor. Estou fazendo muitas atividades físicas e tenho mais disposição para tudo.

    Só não tive sorte na TPM e nas cólicas, quase morro de dor e quase mato alguém, mas vou tentando me controlar. Prefiro cólicas à sofrer com enxaquecas que nuuunca saravam.

    Beijos

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