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maio 15, 2017
Tamy

Como você pode ajudar a prevenir um suicídio

Recentemente assisti a série 13 reasons why , curiosa com os comentários nas redes sociais. Eu tinha algumas teorias a respeito que acabaram se confirmando: é uma série rasa, cheia de estereótipos, que glamouriza o suicídio sem esclarecer a respeito, mas se você quiser saber mais sobre o porque detestei esse seriado, pule para o final do post (contém spoilers) que hoje o tema é outro.

O assunto é desagradável, mas se você teve paciência para assistir 13 intermináveis horas de 13 reasons, eu lhe convido a passar alguns instantes por aqui lendo sobre suicídios da vida real.

Suicídio é considerado um caso de saúde pública no Brasil e no mundo pela OMS (Organização Mundial da Saúde), os dados mais recentes (2012) apontam o quão alarmante e urgente é tratar do assunto com seriedade:

• São 2.200 casos consumados por dia, um a cada 40 segundos;
• 1,4% de todas as mortes do mundo ocorrem por suicídio;
• Entre os 15 e 29 anos de idade, é a segunda causa principal de mortalidade, perdendo apenas para os acidentes de trânsito;
• O Brasil está abaixo da média mundial (113º lugar) com 5,8 mortes por 100 mil habitantes quando a taxa média é 11,4. Isso provavelmente ocorre porque boa parte dos diagnósticos e atestados de óbito apontem outras causas. Estatísticas das autoridades brasileiras apontam cerca de 32 mortes ao dia, levando nosso país a um assustador 8º lugar;
• Para cada pessoa que consegue se suicidar, outras 20 já pensaram, planejaram ou tentaram sem sucesso uma ou mais vezes.

E é justamente aí que esse post faz sentido. Talvez alguma dessas 20 pessoas esteja aí, pertinho de você e – ao invés de ficar apontando culpados como em 13 reasons, você pode ajudar e fazer a diferença:

Identificando e prevenindo o suicídio

De cada 10 pessoas que cometem suicídio, 8 deixam pistas de suas intenções. Avisos que nem sempre são percebidos com clareza por aqueles que estão próximos. Observar e identificar comportamentos pode ser o primeiro passo para ajudar:

• Alterações extremas de humor (apatia, irritação, acessos de raiva), sentimento de isolamento e solidão mesmo com pessoas por perto;
• Sentimento de culpa, vergonha, inutilidade, ódio de si ou acreditar que os outros são indiferentes;
• Isolamento social, declínio da produtividade , descuido com a aparência e com a higiene;
• Abuso de álcool e drogas;
• Comentários do tipo “a vida não tem sentido“, “o mundo ficaria melhor sem mim“, “não há uma saída”, “deixarei de ser um peso” e outros semelhantes;
• Despedidas: a pessoa se desfaz de objetos de valor afetivo, visita amigos e pode aparentar melhora.

Fatores de risco:

Transtornos mentais: 90% dos casos estão associados a patologias diagnosticáveis e tratáveis. Os mais comuns são transtornos de humor (depressão), dependência de álcool/drogas, esquizofrenia e transtornos de personalidade;
• Stress social: bullying, slut shamming, etc
 Grandes perdas: entes querido, trabalho, patrimônio, etc.
Abuso físico ou emocional;
• Doença e dor;
• Acesso facilitado aos meios necessários para se suicidar (armas, medicamentos, etc);
• Problemas familiares.

Mitos que precisamos esquecer:

Quem ameaça se matar não irá se suicidar de fato – como falamos acima, 8 a cada 10 casos avisam sobre as intenções de alguma maneira;
Quem tenta e não consegue não irá se matar realmente – quem já tentou se suicidar alguma vez pertence ao grupo de maior risco e deve ter suas ameaças devem ser levadas a sério;
Se alguém quer se matar não há o que ser feito – apoio emocional e ajuda apropriada podem reduzir o risco de suicídio. Dar a oportunidade para alguém desabafar e compartilhar seus sentimentos pode fazer a diferença.

Como eu posso ajudar?

Se você chegou até aqui e leu os itens anteriores deve ter percebido que tudo gira em torno de dedicar um pouco do seu tempo e da sua atenção a uma pessoa próxima. Tempo: aquela palavrinha mágica que poucos possuem e pode ser a diferença entre a vida e a morte de alguém.

Procure observar com interesse e empatia aqueles que lhe cercam e esteja disponível para escutar sem julgamentos, mostre que você se importa. Não se preocupe em resolver os problemas da pessoa, normalmente o que elas querem e precisam é desabafar e saber que alguém se interessa pelos seus sentimentos.

Caso você identifique comportamentos que indiquem pensamentos suicidas, auxilie a pessoa a pedir ajuda profissional e pelo CVV.

O CVV (Centro de Valorização da Vida) realiza apoio emocional gratuito 24 horas por dia. Eles atendem pelo telefone 141, também pelo chat, skype e email.

No Rio Grande do Sul 0 telefone do CVV é 188.

    

13 razões pelas quais eu detestei 13 reasons why (com spoilers):

1) Glamourização do suicídio: com o suicídio de Hannah, todos aqueles que não davam atenção ou não queriam falar com ela são obrigados a escutar 13 fitas sobre seus sentimentos. Podem ser responsabilizados pela sua morte e isso pode trazer consequências a cada um. Ela conseguiu se vingar e “venceu” aqueles que a humilharam e a fizeram sofrer.

2) Efeito Werther – suicídio é contagioso. Quando um suicídio é amplamente divulgado e romantizado, existe uma propensão a que novos suicídios sejam estimulados. O nome “Efeito Werther” vem de um personagem suicida de Goethe na obra Os sofrimentos do jovem Werther (leia sobre isso aqui) que gerou uma onda de suicídios na Europa na época de seu lançamento. Até hoje a imprensa é cautelosa ao noticiar suicídios de figuras famosas pois o efeito costuma se repetir (link no final do post). Isso acontece no seriado, onde outros personagens planejam suicídio. Na vida real ainda não temos dados atualizados, mas muitos especialistas demonstraram preocupação a respeito.

3) Personagens estereotipados – achei essa parte mais irritante que os episódios intermináveis, estamos em 2017 e a escola parece a de As Patricinhas de Beverly Hills ou Meninas Malvadas.  Se uma série se propõe a falar sobre bullying e insegurança, apontar isso como causa de infelicidade, poderia no mínimo diversificar o elenco. Todos os atores tem pele e cabelos lindos, enxergam muito bem e tem ótimos dentes. Aquela adolescência marcada por óculos, aparelho ortodôntico e acne não acontece aqui. Também não temos gordos e pessoas com deficiência. Temos as clássicas líderes de torcida fofoqueiras e invejosas, a oriental que só pensa em si e em suas notas, o gay de bom gosto e coração gelado, os atletas burros e bonitos, o cara rico com pais ausentes e uma grande piscina… uma interminável chuva de clichês.

4) Profundidade – já no primeiro episódio você pensa: “qual o problema dessa gente?” porque parecem sentir tudo pela metade, sem aprofundar. Tentei dar um desconto levando em conta que talvez essa dificuldade em sentir seria o motivo de tanta dor. Mas os adultos também são rasos e agem de um jeito bobo e irresponsável.

5) Manual de instruções – a cena de suicídio choca pela forma como é tratado, praticamente um tutorial. Só faltou Hannah explicando os passos. Não me venham dizem que é para dar realismo, porque se alguém quisesse que 13 reasons fosse realista, os itens 3 e 4 seriam diferentes. O objetivo era causar e causou.
Existem recomendações da OMS sobre como a mídia deve noticiar e falar sobre casos de suicídio, de maneira a prevenir novos casos e evitar o Efeito Werther, 13 reasons ignora boa parte delas.

6) Culpabilização – o enredo da série é apontar culpados: será Clay, os pais, a escola, os amigos? Não importa! Os sobreviventes de um suicídio (parentes e amigos do suicida) estão em um processo de imensa dor, responsabilizar alguém só torna esse processo mais doloroso.

7) Vingança – Hannah é bonita, inteligente, tem ótimos pais. Quando as coisas não saem como planejado ela grava 13 fitas distribuindo parcelas de culpa a cada um e se despede, demonstrando pouco interesse pelo amor dos pais ou de Clay.

8) Estupro – se algo pode ter sido o estopim da morte de Hannah, foi o abuso sexual, tanto o que presenciou quanto o que sofreu. Mas o tema parece solto, com uma abordagem forçada que levou muita gente a culpar a vítima (dentro e fora do seriado).

9) Adultos – os adultos da série são uma piada. O conselheiro e a professora, pessoas preparadas para identificar os sinais que apontam suicídio, são bobos e desqualificados. Espalham cartazes temáticos pela escola, mas quando os alunos surtam eles apenas ficam intrigados com a reação. Ninguém procura Clay ou Alex para tentar entender o que está acontecendo.

10) É tudo de mentirinha – outra piada são os cenários, principalmente os quartos dos adolescentes que parecem um showroom de móveis planejados. Hannah, Clay e Jessica aparentemente compram cartazes na mesma loja, já que todos tem bordas brancas iguaizinhas. Eles também colam os cartazes com uma disposição rigorosamente alinhada, como todo adolescente faria com os pôsteres de suas bandas favoritas. Tudo nessa série tem gosto de artificial, menos a morte brutal que “precisava ser realista“.

11) Saúde mental – em uma série sobre depressão e suicídio, o tema central deveria ser saúde mental e não de quem é a culpa. Os 13 citados nas fitas de Hannah apresentam sintomas alarmantes mas ninguém se preocupa com isso, nem mesmo os idealizadores do seriado.

12) Easter egg doentio – se você chegou até aqui achando exagero esse papo de romantização do suicídio, saiba que a trilha sonora inclui Hey hey, my my de Neil Yong no episódio 03. Um trecho dessa música foi citada por Kurt Cobain em sua carta de suicídio. Morte que, aliás, gerou um Efeito Werther e inspirou muitos suicídios na época.

13) Conscientização – falar sobre suicídio, bullying, abuso é importante, mas a série apenas atira os polêmicos assuntos no colo do telespectador, sem apontar uma solução, encerra omissa e triunfante rumo a uma segunda temporada. Perdeu uma excelente oportunidade de fazer a diferença na vida de muitos jovens que engrossam as estatísticas diariamente, enquanto deixa pontas soltas para uma segunda temporada com um possível ataque suicida. Desnecessário, improdutivo, irresponsável.


Para ler mais sobre o assunto:

Comportamento Suicida: conhecer para prevenir (dirigido para profissionais de imprensa).
Prevenção do Suicídio
• Prevenindo o suicídio – um imperativo global – OMS
 Viver é a Melhor Opção – André Trigueiro

mar 8, 2017
Tamy

Como comemorar o Dia Internacional da Mulher

Se você é mulher, provavelmente acordou neste 08 de março com o Whatsapp cheio de mensagens floridas anunciando o quanto você é especial. Seu e-mail  lotou com descontos em comemoração ao seu dia. Tem até uma livraria famosa que está dando 50% de desconto nos livros, mas só nos romances, esotéricos e autoajuda, ok? Se você quiser livros sobre exatas, idiomas e tecnologia, terá que pagar o valor normal, pois está se metendo em território que não lhe pertence.

O Dia Internacional da Mulher nasceu como uma data de luta, há muitas versões da origem histórica mas todas convergem para um ponto: mulheres descontentes com a desigualdade no século 19. Os séculos passaram, a tecnologia avançou, a humanidade evoluiu e o mercado usou o tempo e o esquecimento para tentar converter a data em uma algo comercial: primeiro com bombons e flores, depois sapatos e maquiagem e agora, como estamos “espertinhas”, livros com desconto.

Apesar dos inúmeros esforços em distorcer a data, seu significado permanece. Hoje as mulheres se unem em busca de mais respeito e igualdade. Entendem que não são inimigas e não estão concorrendo entre si, mas lutando juntas em um mundo em que somente o segundo lugar lhes é permitido. O mundo parece diferente porque estamos lutando, nos unindo, nos informando e nos ajudando. Mas segue igual nas imposições e dificuldades.

O machismo clássico se reinventou, não usa mais dos velhos clichês. O novo machista desconstruidão lava a louça, coloca glitter na barba e “ajuda” em casa, mas agride a guria que não quis saber dele no bloquinho, faz comentários para acabar com a autoestima da companheira, fiscaliza os contatos do celular, ridiculariza mulheres por suas ideias e quando encontra uma mina com um discurso mais inteligente que o dele, trata logo de desviar o assunto, tenta mostrar que sabe mais ou joga tudo na vala comum do #mimimi (antes conhecido como “está de TPM” mas o descostruidão sabe que é errado usar essa expressão).

Os mesmos presentes, a mesma homenagem da empresa que só promove homens aos cargos de gerência mas paga manicure na semana da mulher, as mesmas marcas querendo usar a data para vender produtos que tornam a mulher “mais feminina”. O que há de diferente nesse 08/03/2017? Mais e mais mulheres despertam para seus direitos e unidas somos mais fortes!

Comemore esse e os outros dias do ano ! Apóie, ensine algo, compartilhe ideias, indique, contrate, dê carona, caminhe junto, elogie, incentive! Séculos de subordinação fizeram com que muitas de nós esquecer de seu potencial, ajude uma mulher a se lembrar o quanto ela pode conquistar.

– – –

Nesse 08 de Março, participe do movimento mundial International Women’s Strike em sua cidade. No Brasil, a Parada das Mulheres Brasileiras acontece em várias cidades, você encontra mais informações aqui . Vamos juntas!

#NenhumDireitoAMenos
#TodasVivas

#EuParo
#ParadaBrasileiraDeMulheres
#8MBR
#NiUnaMenos
#VivaNosQueremos

jan 19, 2017
Tamy

Em 2017, seja a sua meta!

Olha quem voltou parar tirar as teias de aranha do blog? \o/

Sei que é de uma imensa cara de pau desejar Feliz Ano Novo no dia 19 de janeiro, mas como é de coração vocês vão me perdoar não é mesmo? 🙂 Então que o 2017 de vocês seja incrível!

Eu estive sumida por vários motivos. Um deles foi a reforma da minha cozinha que começou com um simples “acho que a caixa de gordura precisa de limpeza” e terminou com a troca do esgoto da casa toda e uma cratera no jardim que cabia um homem em pé dentro. Como o estrago já estava feito, eu, ariana, decidi que era uma boa hora para colocar azulejos na cozinha e pintar toda a parte dos fundos.
Claro que faríamos isso só eu e o maridão.
Em dezembro.
Com mil festas e compromissos.
Tinha como dar certo? Claro que não! Então fica a dica: reforma em dezembro é cilada Bino!

Sobrevivemos e a cozinha ficou linda a tempo de passar o Réveillon feliz e saltitante escutando Rolling Stones.

Depois veio janeiro e eu estava super envolvida com o trabalho. Como algumas vezes meu trabalho inclui usar capacete, óculos, protetor auricular e botinas, não era muito inspirador ou glamouroso para ser relatado ou postado. 😛

Toda essa introdução é para explicar porque eu sumi e dar meu recado para o início de 2017.

Tenha metas

Nunca fui de fazer resoluções de Ano Novo, mas em 2016 eu estava super na vibe A Mágica da Arrumação (Marie Kondo)  e O Poder do Hábito (Charles Duhigg) e decidi fazer uma pequena lista sem compromisso. Ela tinha 20 itens e mudou minha vida.

Para começar, ler esses e outros livros sobre organização de fato me ajudaram a ser mais organizada. Muito mais que comprar organizadores para o armário ou ler blogs sobre arrumação. Com a casa e a vida mais organizada consegui otimizar meu tempo para investir em coisas que eu gosto (como yoga, esportes, música, costura e decoração) e comecei a comprar menos, já que passei a ter mais clareza do que tenho nos armários (do closet e da cozinha). Também descobri que não precisava de tantos produtos de limpeza para ter uma casa brilhando e que investir em viagens é bem mais legal que ter uma pilha de sapatos (meu ponto de vista, o seu pode ser diferente e eu respeito). Só aí já matei 9 pontos que me incomodavam na vida e foram parar na minha lista de resoluções de 2016.

Cheguei ao final do ano concluindo com sucesso 15 dos itens, 4 ficaram parcialmente concluídos e 1 ficou esquecido (adivinha qual? o blog!).
De 20 itens, falhei em apenas 1 e alguns fui muito além do que poderia imaginar. Terminei 2016 satisfeita comigo e com minhas mudanças, senti a evolução e comecei 2017 cheia de ânimo e projetos para abraçar.

Voltei aqui para tirar as teias de aranha e tentar concluir aquele item que ficou esquecido, mas antes precisava compartilhar com vocês isso que melhorou tanto a minha vida: TER METAS. Claro que você já escutou isso na TV e leu mil artigos a respeito, mas quando a dica vem de uma amiga a gente dá mais atenção, né?

O truque

O que talvez não tenha se destacado nesses artigos é o mais importante: VOCÊ. Eles geralmente falam sobre economizar dinheiro para se aposentar ou conseguir o emprego dos sonhos, mas geralmente não comentam sobre a base para você conquistar e ser feliz com tudo isso é o equilíbrio.

De nada adianta ter um montão de dinheiro guardado ou a carreira almejada se você não tem tempo/saúde para desfrutar de tudo isso. A vida não se resume ao material e há alguns vazios que não se preenchem com compras.

O grande truque para cumprir suas metas em paz, feliz e saltitante é equilíbrio. Não liste apenas coisas que envolvem dinheiro ou que dependam de fatores externos (quero o emprego X, quero namorar, por exemplo), lembre que o mais importante é você, então sua lista precisa considerar:

 O que você gosta de fazer quando não está trabalhando? Ler? Rabiscar? Então inclua pelo menos um item sobre isso!
Como está sua saúde? Alguma coisa dói? Está infeliz com algo? Trate de correr atrás desse bem tão precioso. Talvez isso envolva começar aquela atividade física ou a reeducação alimentar que você está adiando há um tempão. Bora colocar isso na lista!
Você é feliz com sua carreira? Se não é, trace um plano do que é preciso para ser feliz. Seja estudar, mudar de emprego ou de área. Com o plano traçado, é hora de começar a colocar em prática: estudar, buscar reposicionamento ou repensar.
Acalme sua mente! Falamos da saúde do corpo, mas a saúde mental também é importante e costumamos só dar importância quando estamos à beira do abismo ou com o stress refletindo no corpo em forma de doenças. Tire um tempo para cuidar da mente, meditação é um excelente caminho e há várias formas de fazer, você encontrará o seu jeitinho. 🙂
• Já considerou fazer algo por alguém? Em 2017 completo 10 anos de trabalho voluntário ininterrupto e posso dizer que nada é mais gratificante do que fazer algo sem esperar recompensa, apenas pelo bem de alguém ou de uma causa. Atualmente mais de 1 bilhão de pessoas são voluntárias em todo o mundo. Se tanta gente assim decidiu que é bom doar um pouco de tempo e amor à uma causa, isso deve ser muito bom, concorda?
Qual o seu sonho? Por que você ainda você ainda não o realizou? Como chegar até lá?

Coloque essa lista no seu celular e/ou em um lugar visível vá acompanhando ao longo do ano. Inclua apenas itens que você possa cumprir em um ano (em caso de objetivos de longo prazo, anote os passos para chegar lá). É difícil correr atrás de todos os objetivos do ano em outubro, mas nós estamos em janeiro e você tem 11 meses e meio para se sentir produtiva, útil, organizada e bem sucedida!

Meus planos para 2017

Depois desse baita texto, é meio óbvio que fiz uma lista de resoluções para 2017 e já comecei a colocar em prática. Vou compartilhar duas delas com vocês (é legal dividir as metas com amigos/família para que eles te incentivem!)

Correr meia-maratona:

Fui nadadora por um bom tempo, mas nunca fui boa correndo. No ano passado comecei a praticar yoga e ela me ajudou muito a transformar minhas caminhadas em pequenas corridas. Agora eu quero tentar concluir uma meia-maratona (sou ousada 😛 ), vamos ver se o corpo ajuda. São 21 km e a Pati Pontaldi está nessa comigo!

Fazer algo que eu gosto

E que não seja ver seriado 😀 porque isso eu tiro de letra. Esse ano escolhi retomar o bordado (depois de 20 anos) e o primeiro já está quase pronto!

Quais suas metas para 2017?

A tirinha clássica da Mafalda diz tudo. As pessoas precisam ser melhores. Mas a única pessoa que podemos mudar no mundo somos nós mesmas, os outros podemos inspirar com nossos exemplos e conquistas.

A hora de melhorar é agora!
Quais as suas metas para 2017?

ago 12, 2016
Tamy

Pílula anticoncepcional: heroína ou vilã? Como é minha vida sem ela.

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Salvadora da liberdade sexual de muitas mulheres desde os anos 1960, a pílula anticoncepcional foi herdada pelas gerações seguintes como a solução para quem quer decidir quando – e se – quer ou não filhos. Gente como eu, que nasceu nos anos 1980 e 1990, aceitou sem questionar e a adotou como a heroína anti-cólicas, espinhas e ciclos desregulados. Lembro que na escola haviam colegas com 15 anos que já eram adeptas por indicação médica.

A principal vilã combatida pela pílula era a menstruação, aquela maldita que não permitia um belo dia de biquíni na praia sem canga, aqueles ~litros e litros~ de sangue inconveniente tornando a vida tão desagradável, isso sem falar na TPM, na pele oleosa, na retenção de líquidos.

Mas o jogo virou, veio o coletor menstrual, o feminismo, as mina falando que a tal pílula não é tão boa assim. Passamos a falar mais sobre a vagina, com esse nome mesmo, não mais a “perseguida”. A verdade, meu bem, é que passou da hora de rever esse medicamento que ingerimos religiosamente todos os dias como se fosse a coisa certa a se fazer, enquanto fugimos da menstruação como se fosse um equívoco da mãe natureza.

Não sou médica e, mesmo que fosse, não poderia sair por aí dizendo o que você deve ou não fazer com o seu corpo, então não estou recomendando o comportamento A ou B. Mas como mulher quero dividir minha experiência para que você possa saber o que me aconteceu quando parei de a tomar pílula anticoncepcional.

Tudo começou com o coletor menstrual, essa maravilha empoderadora e sustentável que o mercado escondeu de nós por tanto tempo. Comprei o primeiro, usei, amei e antes de esquecer no fogo e derreter o pobrezinho, descobri que menstruação não era algo tão ruim assim. O fluxo não é tudo aquilo que aparenta em absorventes comuns e dá para ser feliz no período menstrual na rua, na chuva, na fazenda e até numa casinha de sapê. Eu fui feliz no trabalho, na piscina, na praia e até em longas viagens de avião. Aquele aperto que passei na Turquia quando precisei de absorvente e não havia em nenhum lugar é página virada.

Afastado o fantasma da menstruação, comecei a perceber algumas coisas na minha saúde. Estou na casa dos 30 e comecei a sentir dor e cansaço nas pernas. A enxaqueca virou companheira e chegava a ficar comigo por 3 dias. Quando comecei a me sentir cansada a ponto de prejudicar a vida, fui a uma endócrino e fiz vários exames. Tudo lindo e maravilhoso com os exames, comigo… não era bem assim.

Vamos anotar o que eu tinha até aqui: dor nas pernas, cansaço, enxaqueca frequente, cólicas e TPM. Também tinha um ciclo menstrual “regular” de 28 dias porque é o que durava minha cartela.

Um belo dia resolvi mudar. Parei de gastar meu rico dinheirinho com pílula e observei o que acontecia. No início senti falta de alguma coisa e até uma certa insegurança, mas esqueci dela rapidinho. Para não me perder muito no ciclo adotei um app, o P Tracker Lite, que com base na última menstruação calcula a ovulação e o próximo ciclo.

Depois de parar com a pílula, levou uns 3 meses até a menstruação ficar regulada e eu aprendi que meu ciclo não é de 28 dias e sim de 30. Foi quando eu descobri o quanto a gente muda durante a ovulação, coisa que não há como saber quando se toma pílula há muitos anos. E é bem legal, recomendo! 😛

Nesse tempo também diminuiu muito o cansaço e as dores nas pernas. Fiquei meses sem exaqueca e consegui descobrir que um dos gatilhos é o excesso de lactose (assunto para outro post). Basicamente eu não tenho crises de enxaqueca sem pílula e sem lactose.

Com o ciclo regulado e conhecedora da minha menstruação graças ao coletor, percebi que o fluxo aumentou um pouco mas não percebi a TPM, porque ela praticamente desapareceu, assim como as cólicas. Em alguns meses eu sinto uma certa ansiedade e vontade de comer uns chocolates a mais, mas isso acontece raramente. Quase não sinto cólicas, só aquele desconforto no primeiro dia.

Minha vida após parar com o anticoncepcional: diminuiu o cansaço, a dor nas pernas, a TPM e as cólicas. A enxaqueca ficou controlada. Descobri como é ovular e que meu ciclo é de 30 dias. Tudo isso só listando os sintomas físicos. Se for citar os psicológicos passarei o dia falando sobre como me sinto mais tranquila.

Não vou falar sobre métodos contraceptivos porque isso é assunto pessoal para tratar com seu médico. Mas pontuo que existem muitos métodos e que pílula sozinha não previne DST. Claro que você já sabe disso afinal nós – garotas super informadas dos anos 80 e 90 – sabemos tudo sobre nossos corpos né?! (contém sarcasmo)

Meu relato termina com o saldo positivo por arar com a pílula. Corpo, mente e conta bancária saíram ganhando. Aprendi ainda mais sobre o meu corpo e queria dividir isso para que você saiba que se livrar dessa companheira de tantos anos pode parecer ruim e até dar um frio na barriga mas – no meu caso – foi libertador.

Os papéis estão se invertendo. A menstruação deixou de ser vilã para voltar a ser a parte natural de nossas vidas. Já a pílula anticoncepcional que por anos nos foi vendida como heroína talvez deva ser tratada como medicamento que é e utilizada apenas com indicação médica para casos onde realmente há necessidade.

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Lembre-se: iniciar ou parar um tratamento com medicamentos (como o anticoncepcional) deve SEMPRE ter o acompanhamento de um médico.

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Deixo alguns links para quem se interessar sobre o assunto (se você tiver sugestões de links, cole nos comentários).

Vítimas de anticoncepcionais

 Médicos apontam ligação entre uso de anticoncepcional e trombose

• Contracepção hormonal e tromboembolismo (sugestão da Dra Luciana Akita)

• Pílula e Libido

Créditos das imagens:
1 – Milk Magazine
2. Handcrafted in Virginia
maio 16, 2016
Tamy

Reflexão: seja você e permita que a outra seja quem ela quiser

“Seu corpo é do tipo maçã, pera, triângulo invertido ou ampulheta? Descubra quais as peças que você usar e quais precisa evitar para parecer magra e alta.”

Quantas vezes você já se deparou com um título como esse por aí e ficou tentando entender de que maneira um ser humano poderia ter um corpo em forma de maçã? Geralmente este tipo de texto vem acompanhado de uma listinha do que cada um deve usar e o que evitar. Alguns recomendam que só use tal peça se for com salto. Falando nele, quem aí já passou horas se equilibrando em um sapato que parece ter sido projetado por um torturador? Sofrimento que lembra a nova moda entre famosas e blogueiras, a arma secreta das Kardashian: cinta modeladora, parecidíssima com a que Maria Antonieta abandonou em 1780 e que meninas querem usar em 2016 para uma silhueta ~perfeita~ .

Amiga, abre o olho! Alguns veículos estão tentando nos convencer que – para ter valor – uma mulher deve ser “bela, recatada e do lar”  e essas pequenas loucuras em nome da beleza muitas vezes são fruto de alguém querendo determinar como você deve ser para se enquadrar no padrão. Só que esse papo furado não cola mais e muita gente já sacou que a mulher pode ser como ela quiser. Bela ou não, recatada ou não, gostando ou detestando as demandas domésticas. 

Repare na etiqueta de sua roupa, ela traz informações sobre a peça: tamanho, composição, fabricante e cuidados. Sabe o que não tem lá? Idade, tipo de corpo que você precisa ter para vestir tal peça e como você deve combinar. Porque, amiga leitora, embora tenha muita gente tentando lhe convencer do contrário, você é LIVRE para usar as peças que mais gostar, independente da sua idade, corpo, ocasião ou combinação.

Iris Apfel tem 94 anos e esbanja estilo

Claro que existe um dress code mais adequado para algumas situações como trabalho, eventos e etc. Mas sua imagem é uma maneira de comunicar quem você é para o mundo, e quem melhor que você para definir isso?

A moda caminha para a liberdade no vestir e no expressar. Você ficou sabendo do protesto de atrizes que desfilaram descalças no tapete vermelho em Cannes? Elas fizeram isso em defesa de mulheres que foram impedidas de entrar por não usar salto alto (entre elas, uma amputada!). Soube da polêmica história da garçonete que viu os pés sangrarem pois tinha que usar salto durante o expediente? Obrigar alguém a usar salto, independente da ocasião, é no mínimo um absurdo e nenhum dress code vai me convencer do contrário.

Ninguém deveria sair por aí se sentindo desconfortável e tem muita gente na indústria da moda que já notou isso. Percebeu que vai perder mercado se continuar produzindo para pessoas magras, da faixa etária X e que se enquadram em um determinado padrão. Nós não somos produzidas em série para seguirmos um padrão!

Ju Romano, um banho de autoestima e um exemplo para quem acha que plus size tem que usar manga morcego

Magá Moura, magavilhosa <3 adora usar tênis.

Hoje mulheres podem simplesmente vestir algo confortável, solto, sem sutiã, sem salto, sem cintura marcada e sair por aí bem pimponas. Nem todo mundo fica satisfeito e as críticas são tristes de se ler, mas se você tiver estômago, basta procurar os comentários em postagens com looks fora do usual.

Calma! Isso não significa que alguma feminista malvada quer queimar seu sutiã ou abolir vestidos com babados e cintura marcada. Ela só quer que você vista aquilo que te faz feliz e isso pode ser um vestido de princesa ou um moletom.

Chiara Ferragni é loura, alta e magra, mesmo assim o povo implica porque ela não usa sutiã, tem seios pequenos e é magra demais.

Amal Clooney viajou com look confortável, mas de acordo com os comentários ela é linda e precisa usar roupas que “valorizem” o corpo. Qual o valor que ela perdeu usando essa roupa?

Irmãs Olsen: tão jovens, com corpos “perfeitos”. Por que se vestem assim?
Porque elas querem! Elas se sentem bonitas e felizes assim. Respeita as mina! 😉

Não seria maravilhoso se vestir do jeito que gosta sem se deparar com olhares de reprovação? Taí algo que todo mundo quer.

Então não permita que alguém determine o tipo de roupa que você vai usar, sua depilação ou sua aparência. Faça as pazes com seu corpo, afinal, ele é o único que estará com você sempre.

Não há nada errado em querer ressaltar pontos fortes e esconder algo que não agrada. Só não caia na cilada de achar que uma revista, um blog ou alguma pessoa pode lhe impedir de usar aquela peça que você adora mas não é indicada para com seu “corpo maçã”.

Leandra Medine, mais conhecida como Man Repeller. Mas ela não se veste para agradar os homens e sim a si mesma. Quem você pretende agradar quando se veste?

E já que concordamos que deve ser ótimo viver sem olhares de reprovação, que tal parar de julgar a colega que não se veste do jeito que você acha adequado ou faz algo que te escandaliza?
Afinal, o que determina nosso valor como pessoas não é o que está por fora, né?!

Seja você e permita que a outra seja quem ela quiser. 😉

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